15 de fevereiro de 2016

Zika avança pelo interior de SP e já atinge pelo menos 15 cidades


Zika avança pelo interior de SP e já atinge pelo menos 15 cidades
Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Depois de 800 casos suspeitos em Ribeirão Preto, o zika avança para outras cidades e espalha o medo no interior de São Paulo. Pelo menos 15 municípios, incluindo importantes polos regionais, já registraram casos suspeitos ou confirmados da doença. O vírus também alcança cidades do Vale do Paraíba e do oeste do Estado e pequenas localidades passaram a reportar suspeitas. Em Piracicaba, gestantes correm às unidades de saúde para fazer exames que detectam a microcefalia em bebês. A cidade já teve confirmado um caso de zika vírus em um grávida de 20 anos, mas o bebê está bem. Na quinta-feira, foi notificado o nascimento de uma criança com perímetro da cabeça inferior a 32 centímetros - indicativo da má-formação -, mas ainda sem associação com o vírus. Ao todo, 2.500 gestantes estão sendo monitoradas na rede pública em busca ativa de casos de gestantes infectadas - 12 apresentaram manchas vermelhas na pele e outras 8, sintomas menos suspeitos. "Sabíamos que o zika estava para chegar e, por isso, nos preparamos", disse o coordenador do Programa Municipal de Saúde da Criança, Rogério Antonio Tuon. O caso da gestante com o vírus, contraído na própria cidade, foi diagnosticado por meio desse controle das grávidas, um trabalho iniciado em 2009 para reduzir a mortalidade neonatal e que, em dezembro do ano passado, foi estendido ao zika vírus. De acordo com Tuon, mesmo as gestantes não inscritas na rede pública são contatadas pela equipe, por uma central telefônica. "Os funcionários são treinados para essa abordagem e fazem perguntas sobre os sintomas. Em caso positivo, iniciamos a investigação." A Secretaria Municipal de Saúde preparou um fluxograma para as gestantes que tiveram sintomas, como exantema - vermelhidão na pele -, em qualquer fase da gestação. Amostras são colhidas e, se algum exame der positivo, a mulher é encaminhada para o pré-natal de alto risco. Os recém-nascidos e crianças nascidas desde julho de 2015 também são monitorados. Na quinta (11), gestantes eram examinadas na unidade de saúde do bairro Cecap/Eldorado, onde a prefeitura e a empresa Oxitec desenvolvem o projeto do Aedes transgênico. Desde que o experimento foi iniciado, em abril de 2015, são soltos semanalmente 800 mil machos geneticamente modificados nas ruas. Os machos não picam as pessoas, mas ao copular com as fêmeas tornam sua prole inviável. De acordo com a prefeitura, a população de mosquitos foi reduzida em 82% no bairro. "Com a chegada do zika vírus, quem se incomodava com o Aedes transgênico agora já quer que solte mais", contou a agente de saúde Maria do Carmo Tonussi. O projeto será estendido a outras regiões da cidade.
Bahianotícias

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