19 de setembro de 2016

Com realidades diferentes, Palestina e Itaigara têm a maior infestação de Aedes aegypti

Bairros foram escolhidos para monitoramento pelo aplicativo Mosquito Zero, lançado nesta segunda-feira (19)
 
Quase 20 quilômetros de distância separam os bairros da Palestina e do Itaigara, em Salvador. À primeira vista, parecem ter perfis bem diferentes: enquanto o primeiro é marcado pela desigualdade social, o outro está entre os 10 maiores Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da cidade. Apesar das diferenças, os dois têm os maiores índices de infestação por Aedes aegypti da capital. 
Segundo o último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), divulgado em junho pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a Palestina está classificada como “alto risco de epidemia”, com um indicador de 4,6% - a cada 100 imóveis visitados por agentes de saúde, 4,6 tinham focos do mosquito. O Itaigara, por sua vez, está quase no limite da faixa “em alerta”: já alcançou 3,6% de 3,9%. Só para dar uma ideia, Salvador teve um LIRAa de 1,4%. 

Agentes de saúde fizeram ação na Palestina nesta segunda-feira (19) (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)
Foram os resultados do LIRAa, inclusive, que fizeram com que a Palestina e o Itaigara fossem escolhidos para monitoramento pelo aplicativo Mosquito Zero, lançado nesta segunda-feira (19) pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
Através do software, disponível para download gratuito para sistemas Android, moradores dos dois bairros poderão notificar focos suspeitos de Aedes aegypti e informar casos suspeitos de dengue, chikungunya e zika. As informações chegarão a um centro de monitoramento e, a partir daí, a SMS terá 72 horas para responder à demanda – seja enviando uma equipe ao local, seja solicitando ajuda de outro órgão. 
“São dois bairros de realidades muito diferentes e a gente percebe que o vetor está presente nos dois. Por isso, escolhemos estrategicamente”, explica o gerente em pesquisa do Núcleo de Tecnologia da Informação da SMS, Alex Sandro Correia, desenvolvedor do software. Após os primeiros 90 dias, o Mosquito Zero deve ser ampliado para outros bairros – os 10 com maiores índices de infestação.
Alto riscoNo caso da Palestina, o LIRAa indica que há um alto risco de epidemia na região. O motivo para um número tão alto – bem maior que a média da cidade – é o abastecimento intermitente de água no bairro, segundo a líder geral de agentes de saúde e controle de endemias no distrito sanitário de Cajazeiras, Evanize Cerqueira. 
“Aqui, como falta água, eles armazenam em panela, balde, garrafa PET... Existe uma carência e eles usam os recipientes para guardar. E como eles não sabem quando vai faltar, costumam deixar por dias”, explicou, enquanto participava de uma ação nas ruas do bairro para orientar os moradores e contar sobre o uso do aplicativo, na manhã desta segunda-feira (19). 
Entre os moradores, é difícil encontrar alguém que nunca tenha tido uma doença transmitida pelo Aedes – ou que não conheça alguém que teve. Duas semanas atrás, os pais do agente de portaria Alexsandro Carolino, 35 anos, tiveram dengue. “É comum isso de ficar dois, três dias sem água. Pelo menos uma vez por mês acontece”. 
Os primos do estudante Felipe Araújo, 13, tiveram zika no início do ano. “Eu até sabia que aqui (Palestina) tinha muito mosquito, mas não sabia que era tanto. Lá em casa, o tanque é fechado, mas o problema é que tem vizinho que você vê que a casa não é bem cuidada e acaba dando problema”.
O problema da falta de água no bairro é tão comum que chega a afetar os serviços públicos. Nesta segunda, inclusive, a Unidade de Saúde da Família da Palestina, localizada na Rua Sargento Bonifácio, estava sem oferecer serviços como vacinação e troca de curativos devido à falta de água. Sem poder lavar as mãos entre o atendimento a um paciente e outro, os profissionais de saúde da unidade tinham que recorrer somente ao álcool em gel. Por dia, cerca de 70 pessoas são atendidas no posto. 
Segundo a Embasa, não consta no sistema da empresa a queixa com relação à suspensão do serviço no posto de saúde. A assessoria informou que interrupções momentâneas, programadas ou de emergências, fazem parte da rotina do abastecimento de água. Veja a nota da empresa, na íntegra, logo abaixo. 
Dificuldade de acesso


No Itaigara, a ação de lançamento, com direito à panfletagem e campanha de conscientização, acontece nesta terça-feira (20). Lá, segundo a coordenadora do Programa de Combate à Dengue da capital, Isabel Guimarães, os focos de Aedes aegypti são devido a imóveis fechados, vasilhames de plantas, além de bueiros, córregos e valas.

“O mosquito se reproduz tanto em depósitos artificiais como em depósitos naturais, como plantas, tronco de árvore, qualquer coisa que acumule água. Então, os motivos de infestação podem ser diferntes, mas ela se eleva da mesma forma. Além disso, existe uma dificuldade de acesso dos agentes nesses bairros. Às vezes não tem ninguém, às vezes precisa de autorização, é mais complexo entrar nesses bairros do que nos bairros mais populares”.

Nota da Embasa:
A Embasa informa que a irregularidade no fornecimento de água aos imóveis da rua Sargento Bonifácio, no bairro da Palestina, é decorrente de um problema em uma das válvulas da rede distribuidora local. A previsão é de que o serviço de manutenção emergencial nessa válvula seja concluído ainda hoje (19) e que o abastecimento da rua esteja regularizado até amanhã (20).
Informamos que, nos canais de atendimento da empresa, não há registro de reclamação de falta de água da unidade de saúde localizada no local. Lembramos que, em situações de interrupção emergencial do fornecimento de água na rede distribuidora, a empresa fornece abastecimento alternativo por carro-pipa, que pode ser solicitado pelo telefone 0800 0555 195, mediante informação do número de matrícula. O atendimento a postos de saúde, hospitais e creches é prioritário.
Quanto à reclamação de irregularidade no fornecimento em outras ocasiões, a empresa esclarece que interrupções temporárias para manutenção, tanto programadas como emergenciais, fazem parte da rotina dos sistemas de abastecimento de água. Para que os imóveis não fiquem desabastecidos durante essas interrupções, é fundamental que eles possuam reservatório compatível com as necessidades de consumo dos seus moradores.  No caso de imóveis com mais de um pavimento, é necessário possuir reservatório inferior equipado com bomba que eleve a água para o reservatório superior, o que possibilita o abastecimento dos demais andares.

Correio

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