7 de abril de 2014

Copa 2014: trabalhadores da construção dão cartão vermelho para a Fifa



Lideranças sindicais saudaram legado da Copa para os trabalhadores da construção no Brasil e condenaram a falta de responsabilidade social da FIFA

Usando a expressão “um osso duro de roer”, o secretário geral do sindicato global dos trabalhadores do setor da construção e da madeira (ICM), AmbetYuson, falou sobre o descaso da FIFA com a situação dos operários que trabalham na preparação do mega evento esportivo que é a Copa do Mundo, em especial no Qatar, que já contabiliza 185 mortes de trabalhadores na preparação da Copa 2022 e onde há denúncias sobre trabalho análogo à escravidão envolvendo imigrantes.
“A Fifa continua se esquivando de suas responsabilidades social e política, negando sua responsabilidade, por exemplo, pelas condições degradantes de trabalho no Qatar. E sabemos que a Fifa também não se comportou bem no Brasil. Mas nós podemos roer esse osso, juntando nossa força coletiva e apoio da solidariedade internacional, por que para a FIFA nós damos cartão vermelho”, enfatizou Ambet, sob aplausos.
Legado positivo
O presidente mundial da ICM Per-OlofSööj saudou o esforço coletivo dos sindicatos brasileiros, que conseguiram sindicalizar cerca de 50 mil trabalhadores durante a Campanha Trabalho Decente Antes, Durante e Depois da Copa 2014 do Brasil, além de importantes ganhos salariais e outros benefícios econômicos como adicional hora-extra e alimentação. “Vocês mostraram ao mundo o que um movimento sindical unido e forte pode conquistar e hoje passamos esta campanha da Copa para aos sindicatos da Rússia”, disse Sööj.
Enfatizando que grandes eventos sempre trazem riscos, mas também oportunidades, a representante da OIT Andrea Bolzon elogiou o esforço dos sindicatos brasileiros e informou que os resultados da campanha da ICM no Brasil pelo trabalho decente na Copa farão parte de uma compilação de boas práticas da OIT. “Esperamos que isso possa inspirar os países que sediarão mega eventos esportivos no futuro. A gente faz e acredita que é pelo diálogo social que as coisas podem ser resolvidas”.
Contrato nacional
Representando a presidente Dilma Rousseff, o assessor especial da Presidência da República José Lopes Feijóo reforçou que foi nesse governo que o compromisso nacional entre a indústria da construção e seus trabalhadores foi consolidado e que ele é o embrião do contrato coletivo nacional, uma reivindicação antiga da classe trabalhadora brasileira. “O compromisso prevê uma série de regras e está presente em 44 obras, abarcando 147 mil trabalhadores”, afirmou.
Encerrando o evento, o secretário geral AmbetYuson reforçou que a campanha do trabalho decente na Copa não termina este ano e os sindicatos estão chamados a continuar com a luta por melhores condições de trabalho e sindicalização dos trabalhadores da construção.
Os trabalhos da 3ª Conferencia continuam até o dia 2 de abril, com aprovação de um plano de ações e a eleição da nova direção nacional.

Fonte: Gislene Madarazo /BWI

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